janela indiscreta
e esse blog tem mais erros “de português” que letra de rap. também não tenho obrigação de beber e ainda acertar a regra da crase.
nunca fui de prestar muita atenção nos vizinhos. praticamente só tenho lembrança de coisas boas em relação a eles na minha infância e na adolescência (na verdade adolescente não percebe muita coisa).
mas agora que moro em apartamento e tudo é muito mais próximo fico assustado com as coisas que descubro.
antes eu pensava que o vizinho de cima participava de alguma seita satânica, daquelas que sacrificam criancinhas. descobri mais tarde que os “rituais” eram, na veradade, ensaios de dança folclórica árabe.
a vizinha do lado é um caso mais sério – completamente perturbada, a pobrezinha. adora os gatos (maria antonieta e leonardo) e odeia os filhos. um, inclusive é adotado e ela vive jogando isso na cara dele. umas 8 vezes ela o expulsou de casa. mas acho que ele merece: na época da campanha presidencial andava numa bicicleta dessas que carregam outdoors na garupa com a foto do alckmin, fazendo propaganda.
pra completar as histórias das vidas dos meus vizinhos tem o ninfomaníaco. em alguns domingos acho que ele trepa pelo menos dez vezes. e até galã da globo eu já peguei se agarrando pelas escadas do condomínio.
meu prédio anda num nível bem abaixo do esperado.
até por isso continuo aqui.
dias de sodoma
ouvindo mika que é algo todo feliz.
“stascenko” é a grafia correta do meu sobrenome russo. aqui no brasil ficou mesmo “stazenco”, na quase loteria de letrinhas que o escrivão fez pra tentar chegar perto do correto. entrei numas de pesquisar a parte russa da família, descendentes do meu avô, Nicolai. aí parei tudo porque descobri em detalhes como ele conheceu e casou com a minha avó italiana. dá um livro tipo história do titanic.
em resumo: ele lutava no exército russo na segunda guerra mundial, 1940 e minha avó, enfermeira, servia no exército italiano. Meu avô se machucou no front e acabou a conhecendo quando era prisioneiro. se apaixonaram, fugiram pra romênia onde se casaram e depois de volta pra italia em 1941 pra embarcar num navio que os deixou em santos, minha vó já grávida de 7 meses do meu pai.
e assim os dias vão passando. entre trabalho alucinado e uma ou outra balada.
Parapan 2007 ou loucuras numa cadeira-de-rodas
quase um discípulo da amy winehouse.
antes que pensem que é glicose na veia eu explico: passei a sexta-feira inteira no hospital porque fraturei uma costela.
e o remédio que me deram era muito bom. eu tava lendo uma revista e de repente não entendia mais as palavras, as letrinhas mudavam de lugar, tudo ficou meio lento. eu indico: sempre que for ao hospital nove de julho peça esse remédio pra dor – alguma coisa que termina do “larax”. dá barato. quem me receitou foi uma médica cujo figurino lembrava muito o da joelma da banda calypso mas com jaleco branco.
sem contar a cadeira-de-rodas tipo última geração, com botões pra todos os tipos de manobra e que eu descobri quando a enfermeira me botou de castigo na sala de medicação número 3, sozinho, quase ajoelhado no milho atrás da porta. só faltou dizer num sermão que me tirou a outra cadeira de rodas porque não me comportei bem.
a foto acima é da hora que um outro enfermeiro reprimido impediu minha passagem por uma rampa radical que dá na avenida 9 de julho e onde eu podia fumar. claro que de cadeira e esse bagulho pendurado no braço era meio complicado passar desapercebido. no fim encontrei uma saída pelo lado da lanchonete no quinto andar. ninguém notou nas quatro vezes que fugi pra fumar.
(até agora estou tentando entender como fraturei uma costela, cheguei em casa depois da balada, dormi algumas horas e só quando acordei percebi que estava com uma dor insuportável. acho isso muito sério)
batata bolinha
eu tenho desejos igual as grávidas. hoje foi vontade de batata-bolinha em conserva, daquelas que sempre tem em casamento de pobre. corri na feira, comprei e depois fui pra internet pra buscar a receita. deu certo!
meu primeiro contato com batata-bolinha se deu quando eu tinha uns 10 anos. lembro perfeitamente da festa de casamento, num lugar muito longe da civilização, era um tempo enorme de carro pra chegar, e nessa festa eu comi batatinha em conserva. lembro também de uma fubanga perto de mim comentando que naquela festa só tinha batata e nada mais e eu não entendia o porque do comentário com jeito depreciativo – a batata era ótima! contei pra minha mãe, que avisou que era pra eu nunca fazer isso: ir à uma festa e depois sair falando mal. (aprendi depois que se a festa for de um desconhecido pode, né).
receita: cozinha a batata-bolinha em água e sal. depois mergulha no molho de azeite, óleo, vinagre de vinho branco, sal, alho, salsinha e cebolinha picadas. dizem que no dia-seguinte fica melhor ainda.
super fácil.
larry
o meu amigo guto criou essa comunidade no orkut pro oscar maroni.
aderi rapidinho porque acho tudo de uma hipocrisia sem tamanho. imagina fechar o bahamas e deixar todos os outros 9999 puteiros abertos.
eu sempre digo que o mal desse mundo é o povo que não trepa. e não deixa os outros treparem por pura inveja.
os ovos não podem ficar na porta da geladeira
“… onde as pessoas gostam de transformar a geladeira em psicólogo ou em televisão. Abrem e passam horas olhando para dentro sem nada para fazer.
Parece até que a geladeira vai ficar sentida se não dermos atenção a ela. Toda vez que passamos por perto, temos um impulso de abrir, mesmo que tenhamos acabado de comer! Temos que abrir novamente para ver se surgiu alguma coisa nova lá. Até parece que tem um cozinheiro preso dentro da geladeira preparando algum prato irresistível.”
o roberto figueiredo escreveu isso no globo.
me identifiquei tanto!
educadinho
5.30h da madrugada fria e chuvosa de domingo e eu na rua procurando uma lanhouse pra gravar um dvd. consegui. adoro são paulo!
esse final-de-semana passei mais de 10 horas por dia enfurnado num auditório, convivendo com profissionais de todos os níveis da educação paulista, tendo contato com idéias brilhantes de emilia ferreiro, vigotsky, moran, celso vasconcelos e ouvindo os amigos palestrantes de alta estirpe.
saí acreditando na real possibilidade de que pessoas bem educadas ainda possam existir.
no meio disso tudo ainda teve bons vinhos, comida árabe, coquetel, lançamento de livro, amigos, balada rápida porque estou na fase rapaz-sério-e-trabalhador, e uns aditivos.
carcará
essa é pro erik sadao que adora me tirar de “carcará”.
1965, bethania com 18 anos, espetáculo opinião no rio de janeiro. salvo grande engano acho que é uma cena do filme “desafio”, talvez o único registro em video desse show, que mostrava a menina “esquisita de voz grossa” vinda da bahia.
pingo nos is
pra não enganar. o que esse blog e seu autor gosta e não gosta:
- tem horror a baladas na caipira vila olimpia
- odeia sapatênis, aqueles calçados que não são tenis tampouco sapatos
- adora a bebel da novela das oito e também queria usar um colar de esmeraldas
- despreza a classe média da cidade em que vive, aquela classe que ignora crianças de rua mas se derrete toda pelos cachorrinhos abandonados
- desconfia sempre de gente que assina a revista veja
- desconfia sempre de gente que não bebe
- odeia o josé serra, o fernando henrique, o alckmin e o kassab
- não tem saco pra partido político
- é doido por fórmula 1 e torce pra qualquer piloto que chegue à frente do Felipe Massa, a tartaruga ninja anã
- desconfia de filhos que concordam com os pais
- não gosta de música com solo de guitarra
- ama feijoada e não come feijão
- acha lindo os ritos da igreja católica, vai a missa com as velhinhas mas não concorda com quase nada que sai da boca dos padres
- não suporta mulher submissa e acha os homens animais muito atrasados
- gosta de pornografia, uisque bom, comida italiana e da cidade de salvador
- reza toda noite pra que o caretas passem pelo purgatório e pra que a marta suplicy volte pra prefeitura de são paulo (nem que seja só pra irritar a classe média leitora da veja)
nunca haverá
“depois de certo tempo cada um é responsável pela cara que tem. Vou olhar agora a minha. É um rosto nú. E quando penso que inexiste um igual ao meu no mundo, fico de susto alegre. Nem nunca haverá. Nunca é o impossível. Gosto do nunca. Também gosto do sempre. Que há entre nunca e sempre que os liga tão indiretamente e intimamente?”
conheço várias pessoas que citam de pronto parágrafos ou frases da clarice lispector. poucas dessas leram um livro inteiro da clarice lispector.
hoje o michael me pediu um livro dela pra ler. ele me disse que nunca se acertou com a literatura brasileira e queria tentar com algo da clarice. acho que vou dar pra ele “a hora da estrela”. ele acha que “macabéa” soa bonito. eu também.

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