com o ano correndo pra se extinguir lí ontem em todos os jornais a nota estarrecedora da uniban sobre o caso da aluna do vestido-curto-cor-de-rosa-choque. li também a lamentável entrevista do advogado da instituição na folha de são paulo.
tudo, desde o primeiro dia, nesse caso é revoltante e de uma baixeza repugnante.
a cereja do bolo foi colocada quando a dita universidade expulsou a aluna depois de uma sindicância interna cujos caminhos de avaliação foram traçados – oh deus! – pela própria gangue de inquisidores.
estranho que nem o corpo docente tampouco os alunos dessa fraca universidade tenham se manifestado ainda sobre a expulsão. há um silêncio cúmplice que deixa meu estômago embrulhado. há covardia que não cabe no mundo nesse silêncio.
a 1.44 minutos desse vídeo eu reconheci a música mais bonita que ouvi esse ano.
é a bethânia cantando pedro abrunhosa – balada de gisberta.
Balada de Gisberta – Pedro Abrunhosa
Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta p’ró nada.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes,
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo,
Corações que já esqueci,
Com sedas matei
E com ferros morri.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Trouxe pouco,
Levo menos,
E a distância até ao fundo é tão pequena,
No fundo, é tão pequena,
A queda.
E o amor é tão longe,
O amor é tão longe…
E a dor é tão perto.
em um momento raiz fui, como de costume, ouvir o novo da maria bethânia.
dois novos – “encanteria”, um legítimo cd de samba e “tua”, romântico, de acento mais urbano.
arrebatadores.
hoje, a bethânia está artisticamente, um degrau acima dos seus pares intérpretes. fiquei procurando problemas e apenas uma música me deixou assim, achando que não deveria estar ali. jorge vercilo não é bom. sorry.
em 22 músicas inéditas, uma ousadia, um grande momento de refinada cultura popular.
fosse eu o nelsinho piquet já estaria correndo atrás de uma equipe na formula indy.
fosse a FIA algo sério punia com exclusão um piloto que põe deliberadamente em risco alguém, mesmo que seja a integridade física dele mesmo. e manda a equipe pra fora também.
eu não gosto de um esportista que trapaceia dessa forma – não importa a mando de quem, se de equipe, patrocinador, chefe ou engenheiro.
acho que tem que sair humilde e quietinho.
e depois, bem depois ralar muito pra conseguir se reenguer. esportiva e moralmente.
mas hoje, sábado bonito, fiquei um pouco irritado por estar trabalhando e descobrir que a segunda-feira é feriado. eu deveria ter ido viajar, se ao menos soubesse com antecedência do feriado. e por que não soube? por que estou trabalhando enlouquecidamente e esqueci que existe vida além do escritório.
deve existir pela rua coisas interessantes como sexo ou então comida boa. um amigo, talvez.
passei a semana inteira de molho por suspeita de gripe suína.
paguei mico por ter que sair de casa de máscara, sofri preconceito quando alma viva alguma quis sentar ao meu lado nas cadeirinhas do hospital 9 de julho, ou pior, quando me colocavam na sala de isolamento, ar condicionado a 5 graus, longe dos demais pacientes.
me senti meio michael jackson ao subir de máscara a rua augusta pra ir na fármacia enfrentando os olhares curiosos dos passantes.